Castigo para que?

Time Out

Temos visto em muitas famílias, de todas as classes sociais, uma profusão de castigos impostos aos filhos, na tentativa de resolver situações. Não ir bem na escola, não fazer as lições, brigar com o irmão, não comer adequadamente, desrespeitar adultos, falar palavrões… têm sido motivos para punições. Parece que se configurou uma ‘moda’ na educação e na hora do desespero dos pais, aliás muito compreensível, o castigo aparece como solução, mas vale a pena refletir sobre isso.
Qual o pressuposto do castigo? Ele priva a criança de algo que ela gosta em decorrência de um comportamento indesejado, mas, quase sempre, não está relacionado com o que o motivou. Eis um exemplo: xingou a mãe, não vê televisão. Para que serve? De que maneira isso ensina a criança a buscar uma solução mais eficiente para as diferenças entre ela e sua mãe, ou para expressão dos seus sentimentos, sem xingar e desrespeitar? Outro, muito usado: não estudou para a prova, fica sem ir à casa dos amigos por um mês. Como isso ajuda a superar dificuldades de se organizar, ter interesse pelos estudos, etc?
Ocorre, frequentemente, que as situações se repetem, e o relacionamento entre pais e filhos transforma-se num braço de ferro, numa competição no estilo ‘vamos ver quem tem mais força’. Quando a educação se converte preponderantemente num jogo de dominação, é sinal de que algo está fora do lugar. O que se espera como resultado num jogo desse tipo? Como isso colabora para o aprendizado da resolução de conflitos sem agressões inaceitáveis? Como colabora para vencer as dificuldades da vida? Seria interessante que os pais tentassem responder a essas perguntas antes de decidir como interferir. Educar não é dominar, ao contrário, deveria ser ajudar a se controlar, a desenvolver recursos para resolver os problemas.
A ‘moda’ do castigo desconhece os motivos individuais que cada criança tem para agir e iguala todas elas propondo essa estratégia: causar um sofrimento para extinguir um comportamento indesejado. Quando a situação se repete seria melhor ajudar criança a falar sobre o que está fazendo e buscar uma mudança. Muitas vezes é possível pedir a ela que repare o que estragou, nas relações ou na sua própria vida, não como castigo, mas para que participe construindo.
Afinal, esse talvez seja um dos principais objetivos da educação: ajudar a construir.
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Marcia Arantes e Helena Grinover

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