Quem é o bebê?

Father holding and smiling at baby son

O pai de um garotinho de cinco meses viaja frequentemente devido a compromissos profissionais e, por ocasião de cada ausência, conversa com seu filhinho. Com a voz tranquila e séria diz coisas assim: ‘preste atenção filho, vou viajar e você vai ficar com sua mãe. Comporte-se bem, tá? Volto daqui a quatro dias. Vou sentir saudades’.
Ao falarmos com os bebês mesmo sem sabermos o que eles podem entender de tudo que é dito, produzimos uma série de efeitos. É por meio da nossa fala que são incluídos no universo dos seres que têm uma linguagem. Oferecemos as nossas palavras como que dizendo: você é um de nós. Isso muda radicalmente suas vidas!
Quando o pai se dirige ao bebê do nosso exemplo, é como se estivesse diante do filho que ele sonha ter daqui a algum tempo. Enquanto antecipa a visão de um individuo falante, determina um lugar para o novo ser. Embora nesse momento o garotinho ainda não compreenda os significados específicos que o pai lhe transmite, ele já tem um lugar que seus familiares lhe reservam e que sabem que em breve será ocupado. O pai expressa nessa fala, provavelmente sem se dar conta, o seu desejo e expectativa em relação ao filho. É como se ele dissesse: ‘Filho, desejo ser muito importante para você e espero que sinta minha falta da mesma forma que sentirei a sua.’
Sempre que alguém se dirige ao bebê olhando-o como uma pessoa que ele próprio ainda não é, antevê o espaço que virá a ocupar e assim lhe dá condições de vir a ser de fato ‘uma’ pessoa.
As falas endereçadas ao pequeno são, geralmente, tentativas de decifrar e traduzir em palavras os sinais sonoros, o olhar, as mudanças no rostinho. Vão dizendo se está com raiva, feliz, com sono, vão contando uma história sobre seus dias, lhe apresentam o mundo. Envia-se assim uma série de imagens e palavras necessárias para que vá constituindo uma idéia de si e dos outros. É o começo de um processo que o acompanhará vida a fora, ‘quem eu sou e quem são os outros’.
Essas ‘conversinhas’ que os cuidadores fazem intuitivamente tão bem quando estão amamentando, trocando, banhando… são tão importantes! Elas oferecem ao bebê uma rede de proteção que dá sentido ao mundo.
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Helena Grinover e Marcia Arantes

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