O objeto amado do bebê

Childhood Innocence SeriesCecí, bebê de um ano e dez meses de idade, tinha como seu objeto mais amado uma bonequinha de pano chamada pela família de ‘naná’. Ela sempre o acariciava enquanto chupava o dedo. Assim pegava no sono, se acalmava , se distraía… Todas as vezes que saiam de casa a mãe de Cecí se preocupava em colocar na bolsa o ‘naná’. Um dia a avó a levou para passear e não se lembraram do precioso objeto. A certa altura, a garota pediu seu ‘naná’, a avó explicou que havia ficado em casa e que mais tarde ela o encontraria lá. Num primeiro momento Cecí chorou, depois foi se conformando e começou a cantarolar um ‘nana nenê’ que foi se transformando em nana naná, naná naná, de maneira a compor uma nova musiquinha.
O episódio nos pareceu útil para ilustrar como essa ‘falha’ na atenção da mãe, que se esqueceu de colocar o naná na sacola de passeio, pode ser aproveitada pela criança. Esta escutou a avó e entendeu que apenas mais tarde teria o brinquedo desejado. Mas manteve a presença da boneca na medida em que ia falando seu nome: naná, naná… Assim, substituiu o objeto pela palavra, caminhando na aquisição da linguagem. Outra transformação importante foi substituir o prazer de chupar o dedo pelo de cantar, o que abriu a possibilidade de compor uma música! Na falta de um tranquilizante, ela criou outro.
Ao longo dos primeiros anos de vida, o bebê enfrenta várias substituições. Terá que se separar do seio, da mamadeira, da fralda, da presença contínua da mãe… É frequente que os adultos associem esses momentos com o sentimento de tristeza, insegurança, pesar. Muito temos a prender com a Cecí nesse episódio. Ela conseguiu parar de chorar sem esgotar suas energias, passou da tristeza para o canto, parou de pedir insistentemente, dirigiu sua atenção a outra atividade e foi criativa. Isso tudo indica que, não apenas suportou o sofrimento, mas cresceu com ele. É bom que se diga também que esta não foi a despedida definitiva. É interessante que as próprias crianças possam ir deixando o seus nanás.
As separações que a criança vive nesse primeiro momento da vida, devem ser vistas como abertura para outros interesses e novos relacionamentos. São necessárias para o crescimento, para a inserção social.
Cabe aos educadores dosar essas passagens, propondo-as gradualmente, de modo que a criança possa encontrar recursos internos para se ajustar às novidades. E cabe a eles também olhar para ela com a confiança de quem já vê à frente as conquistas que advirão dessas aparentes ‘perdas’.
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Helena Grinover e Marcia Arantes

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