Chororô

Young couple with a whining young childEm nossos trabalhos com pais e educadores ouvimos frequentemente queixas que as famílias fazem das escolas e as que estas fazem das famílias. Trata-se de uma atribuição de culpa que retira de ambas a responsabilidade e a possibilidade de ação. Quando a culpa é dos outros nada pode ser feito…
As famílias, sempre atribuladas, desejando o melhor para suas crianças, esperam receber mais pelos investimentos que fazem. O custo aqui não é composto apenas por uma quantia em dinheiro, mas inclui dispêndio de energia, tempo, dedicação à programação escolar, etc. As escolas, pressionadas pela carga de trabalho, por problemas de toda sorte e desejando ser bem sucedidas, se queixam das dificuldades trazidas pelo contexto familiar dos alunos.
Nossa questão é: como esse chororô dos adultos afeta as crianças?
Podemos dizer que lhes dificulta bastante a vida escolar. Ficam numa situação ambígua quando ouvem dos pais comentários críticos sobre a escola e, ao mesmo tempo, são solicitadas a respeitá-la e a aprender com seus professores. A aprendizagem está diretamente ligada à admiração que o aluno tem pelo mestre. E é difícil para uma criança respeitar o que seus pais não prestigiam.
Os educadores que atribuem as dificuldades do ensino a problemas na família terminam por ficar impotentes, não vêem o que fazer na escola. Entretanto, os alunos que têm as piores condições em casa são os que mais precisam de professores que reconheçam suas capacidades.
Por outro lado, os pais que atribuem toda dificuldade escolar dos filhos aos educadores, ficam sem abertura para colaborar.
A potência de todos será recuperada se, apesar dos desejos de sucesso, puderem suportar os limites da condição humana. Tanto a escola quanto a família esbarram em frustrações ao longo de suas jornadas. Admitir as dificuldades, sem ‘empurrá-la’ para o outro, é condição para continuar o trabalho criando alternativas mais eficientes. E as crianças só tem a ganhar com isso, pois terão a oportunidade de ver os adultos colocarem em prática a mesma atitude que esperam delas, ou seja, que possam incluir as dificuldades e não se esquivar!
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Helena Grinover e Marcia Arantes

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