E se eu não passar?

Half Moon Bay, Montego Bay, Jamaica

Os alunos do último ano do ensino fundamental estão dando uma festa, comemoram conquistas e se despedem! No próximo ano vão todos mudar de escola para cursar o ensino médio. Alguns sentados numa rodinha comentam os exames de seleção que enfrentaram. De repente, um garoto começa a chorar, não conseguiu entrar naquela escola que é a ‘melhor’ e seu irmão gêmeo sim. Que decepção! Mas, além disso, ele tem a ideia de que o irmão ‘tá feito’.

Qual é a melhor escola? Muitos critérios são levantados, desde metodologia de ensino, valores humanos, instalações físicas, até aspectos práticos como distância, preço, vagas. Numa sociedade competitiva como a nossa, é fatal que entrem em jogo critérios como a posição da escola no ‘ranking’ do ENEM ou as estatísticas que quantificam a porcentagem de aprovados nos vestibulares.

Aparentemente, quem está dentro de uma das primeiras do ranking já é primeiro em alguma coisa. Não é bem assim, uma escola pode ser muito adequada para determinado estilo de aluno e ser inadequada para outro. Os melhores resultados advirão do bom encontro entre aluno e escola, com o reconhecimento feito pela família.

Assim como os concursos que escolhem ‘o melhor jogador ou a melhor atriz ‘ levam a uma ilusão fantasiosa, pois não existe ‘o melhor’ e sim o primeiro em determinadas seleções, também nos iludimos quando acreditamos na ‘melhor escola’. Os vencedores de concursos são talentosos e preparados para alguns aspectos da vida, mas certamente despreparados e mal dotados para outros, do mesmo modo que as escolas!

Quando falamos que alguém é campeão, é o primeiro, esquecemos que somos todos incompletos, ‘ninguém tá feito’, em idade alguma. Experimentar e assimilar essa ‘prova’ de não ser aprovado constitui uma das lições para o futuro. O sucesso em qualquer atividade está quase sempre vinculado a não se deixar abater pelos fracassos.

Crianças e adolescentes perdem de vista a perspectiva, sobretudo no momento de vestibulares e seleções, de que a educação formal é um processo, e que há uma diversidade de caminhos possíveis. Passar no exame é um marco importante, sem dúvida, mas não deve ser entendido como a obtenção de um selo de garantia da qualidade. Há mais mistérios sob o céu e a terra…

*Aos interessados pela diversidade na formação escolar, indicamos o excelente artigo de João Batista Araujo de Oliveira, “Dilema no ensino médio”, publicado no Jornal Folha de São Paulo em 29/11/11.

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Helena Grinover e Marcia Arantes

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