A outra casa do meu filho

Family with heads in boxes pulling facesA mulher diz ao ex-marido, com palavras cuidadosas, esforçando-se para manter o clima amigável: ‘Não quero te preocupar, mas tenho notado que toda vez que ele,  filho de ambos, volta da sua casa , está mais agressivo, fala palavras que não costuma. Você notou algo? Claro, eu sei que você é super cuidadoso, mas… será que está acontecendo alguma coisa?’ O pai responde já se defendendo e iniciam uma troca de opiniões. Nota-se que a interrogação procura esconder a agressão e a defesa busca encobrir a indignação… Ao observador, a tensão é visível, uma bomba prestes a explodir! Uma outra mãe divorciada diz: ‘Minha filha fica chorosa quando vai para a casa do pai. Acho que ela não se sente bem tratada’.
Quando pais separados compartilham a guarda do filho é frequente a desconfiança. Como estará sendo tratado esse ser tão especial? É difícil deixá-lo, por vezes ainda pequeno, ir para um lugar onde não é possível interferir no que acontece. Terá que conviver com outra ‘mãe’ ou outro ‘pai’, outros irmãos, outras regras. As mães, sobretudo, se atormentam pelo fato de que, nesse novo contexto, o filho não tem o lugar privilegiado que ocupa junto a elas.
É comum brotarem ciúmes e competição e, dependendo de como se deu a separação, restar grande hostilidade entre os pais. As dificuldades dos filhos, se vistas a partir desses sentimentos, são facilmente atribuídas ao ‘outro’. A nova mulher do ex-marido é a bruxa da história, o novo marido da ex-mulher é desregrado, agressivo ou indiferente…
É interessante que a criança possa construir vínculos próprios com os novos familiares sem ter que carregar o peso das experiências anteriores dos pais. Estes, por sua vez, só podem identificar situações que necessitem de intervenção, se puderem enxergar o filho como indivíduo destacado.
A desconfiança entre os adultos deixa os pequenos com a tarefa de se proteger, pois afinal estão entregues aos ‘maus’. Em decorrência, pode também acontecer que a criança passe a dar palpites e tecer julgamentos sobre a atitude dos pais, criticando-os e promovendo intrigas. Deixará assim de ocupar o lugar que lhe cabe que é o de ser cuidada e não o de cuidar.
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Marcia Arantes e Helena Grinover

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Um pensamento sobre “A outra casa do meu filho

  1. Quando os pais se separam, principalmente, quando eles são jovens, ficam muitas mágoas, ressentimentos, quando não ódio, rancor. Por mais nefasto que tenha sido o comportamento ou ação do outro , o que fica difícil, para um ou outro entenderem , que para os filhos é da maior importância terem pai E mãe. Um ou outro podem não acompanhar o fato do filho querer o contato com alguém que se comportou tão mal, que foi francamente desonesto, ou desleal. Ele conseguem avaliar isso, mas não dá para desconsiderar que trata-se de pai ou mãe. “Eu que fiquei do lado, que dei de comer, vestir, que levei daqui para lá todo tempo, que trabalhei e paguei tudo, como é possível que ele ainda queira ter contato com o outro?” .A vida de fato é injusta, e os filhos eventualmente mais ainda. Mas filho quer ter pai e mãe. O pior, é que eles “entendem”, “perdoam”, “relevam” aquele que é considerado como um desclassificado pelo outro. É de fato duro, mas os humanos gostam de ter pai e mãe. Provavelmente quando pai ou mãe são violentos, ou pedófilos, de fato a aproximação pode ficar inviável, mas fora essas situações, os filhos não veem razão para perder contato com um dos pais. Eva

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