Que rede é essa?

Spiderweb

‘Meu filho usa o computador para se relacionar, mas a nossa empregada tem a tarefa de vigiar o tempo todo; à noite, ela nos conta o que se passou’. Esse é o relato de um pai, quando entrevistado a respeito do uso da internet por crianças.
Para cadastrar-se num dos sites de relacionamento mais conhecidos, a pessoa deve informar sua idade. O cadastramento de menores de treze anos não é aceito e o próprio site recomenda seu uso para maiores de 18 anos. Entretanto, o que vem ocorrendo não é nada recomendável. Crianças, por meio do fornecimento de informações falsas ou de adultos que ‘emprestam’ suas identidades, estão frequentando cada vez mais cedo esse ambiente virtual. Os pais, naturalmente apavorados com as possibilidades de violências reais e virtuais, exercem controles também pouco recomendáveis. Vigiar o tempo todo termina por cercear liberdades necessárias e gerar insegurança nos pequenos.
As consequências podem ser consideráveis para a criança que sabe das restrições, e vê os pais tão intranquilos com o que estão fazendo. Talvez o mais importante a ser dito, é que os pais tornam-se cúmplices da ‘mentira’ dos filhos em relação a idade, agindo de forma contrária ao que exigem deles. Isso introduz uma fratura na noção de limite , afrouxa a confiança nos adultos, o que abala a construção dos valores que norteiam a vida. Os consultórios psicológicos estão cheios de crianças e adolescentes com os mais variados quadros de sofrimento psíquico, que tem por base essa fratura.
‘Todos os meus amigos têm’: essa é a frase que os pequenos repetem para convencer os pais que tentam resistir à pressão para que sejamos todos iguais, usemos a mesma roupa ‘fashion’, conheçamos os mesmos lugares ‘in’, tenhamos os mesmos objetos ‘High-Tech’. É bom lembrar que a própria rede que insere, fornecendo recursos que enriquecem a vida social, é também, por outro lado, a que captura. Falta espaço para a diferença, para a possibilidade de pensar com os próprios critérios.
Será excelente que os pais possam se sustentar naquilo em que acreditam. Quem dá suporte aos que querem fazer diferente? Seria esse um trabalho que as escolas poderiam assumir com mais consistência?
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Helena Grinover e Marcia Arantes

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