Jogo eletrônico: distância ou proximidade?

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‘Amanhã é domingo, meus pais deixam eu ir dormir mais tarde’, diz o garoto de doze anos. ‘Mas se for para ficar jogando essas “porcarias” é melhor descansar, acordar cedo e aproveitar o tempo com seus amigos’, responde sua avó que tem pouco interesse por essas “modernidades”…

Podemos perceber como ela está distante do que é brincar para o seu neto…  O que os adultos propõe para que as crianças brincarem é uma manifestação da sua cultura. Quando as marcenarias eram responsáveis por boa parte da produção industrial, os brinquedos preferidos eram de madeira, hoje são eletrônicos. A visão que a sociedade tem do que seja educar, se divertir, ser criança, se expressa por meio do que ela concebe para o mundo infantil.  Entretanto, os pequenos também atuam nesse processo fazendo escolhas. Eles têm seus interesses; tanto é assim, que nem tudo que o lhes é oferecido faz sucesso.

Uma das funções do ato de brincar, é inserir a nova geração naquilo que a anterior lhe proporciona. Através dessa atividade a criança se apropria, ou seja, toma para si a produção cultural de maneira criativa. A partir da interação com o brinquedo, ela cria, fantasia, pensa, aprende e se sociabiliza.

Os adultos ficam defasados quando criticam as preferências infantis sem se darem ao trabalho de saber como são elaboradas as brincadeiras, o que têm de divertido, quais  são as satisfações que estão em jogo. Perdem espaço no relacionamento com os pequenos e a possibilidade de acompanhar o que eles estão construindo, como pessoas únicas que são, no tempo em que brincam. Afinal, é o que interessa.

Pais, avós e professores ganham na comunicação e diminuem a distância entre gerações quando não hostilizam, mas buscam conhecer o fascínio que os jogos eletrônicos exercem atualmente. Assim, podem participar do processo cultural e educacional de apropriação que cada criança faz desses brinquedos, introduzindo propostas alternativas, ampliando interesses. Sem essa proximidade, as palavras dos adultos correm o risco serem recebidas como vociferações sem sentido, ‘blábláblás’…
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Helena Grinover e Marcia Arantes

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