Não quero!

Não quero!

O papai parecia estar gostando. A filhinha , de dois anos, nem tanto… Ele fazia uma brincadeira em que ameaçava  pegar a criança com um fantoche nas mãos, rindo, e a menina, assustada, dizia ‘não!’, ‘não quero!’, ‘para!’, mas o pai insistia… Ela usou todos os recursos de vocabulário aos quais tinha acesso, até que, desesperada, começou a chorar.
Em várias situações, observamos que os apelos das crianças são desconsiderados, como se o adulto não ‘acreditasse’ na sua recusa, ou como se entendesse  que  a negativa faz parte do jogo. ‘As vezes, há cenas constrangedoras, nas quais a linha divisória entre a atitude amorosa e o molestamento fica indefinida.
Os momentos de brincadeira, nos quais há o cuidado de preservar o prazer dos participantes, são preciosos para a criança compreender as diferenças, nem sempre claras, entre brincar e agredir. Se puderem ver sua recusa ouvida, aceita e respeitada, os pequenos se sentirão protegidos e poderão ir até onde aguentam, se aventurar, experimentar novas situações.
Ultrapassar o limite da criança em ocasiões em que ela tem todo o direito de exercer essa escolha, retira dela a  oportunidade de suportar e acolher o ‘não’ que ela própria irá escutar  dos outros.
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Marcia Arantes e Helena Grinover

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