Vamos combinar?

Vamos combinar?

‘Nós tínhamos combinado que você só comeria chocolate depois de almoçar, lembra?’ ‘Você combinou comigo que não bateria mais no seu irmão’. ‘Vamos combinar de assistir TV apenas uma hora por dia?’
Frases como essas se multiplicam nas conversas de pais e educadores com as crianças. Os adultos esperam, muitas vezes, que a palavra ‘combinar’ ajude a fazer valerem as regras, mas essa não é a maneira mais apropriada de utilizá-la.
Combinar significa chegar a um acordo, estabelecer um pacto que atende aos objetivos de ambos. Entretanto, especialmente com as pequeninas, os limites devem ser estabelecidos pelos adultos, e trata-se de fazer com que estas os aceitem, mesmo sem os desejarem.
Se para isso eles utilizam a palavra `combinar´, camuflam as situações nas quais deveriam exercer claramente seu papel de autoridade. Assim confundem a criança, não a ajudam a  perceber as circunstâncias em que, de fato,  pode participar das decisões.
A capacidade de reconhecer e respeitar pessoas que estão no lugar de autoridade é fundamental para a construção da cidadania. Ela será a base para que o individuo possa também, mais tarde, exercer a sua autoridade como cidadão ativo, conhecedor de seus direitos e deveres.
Lembro-me de uma cena em que a mãe, exasperada, dizia para a filha de oito anos: ‘Nós combinamos que você iria guardar os brinquedos, certo?’ E a filha, sabiamente, responde: ‘Combinamos não, mãe, você que mandou.’ Essa menininha entendeu claramente a diferença!
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Marcia Arantes e Helena Grinover

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