Adolescentes assassinos ou assassinados?

Adolescentes assassinos ou assassinados?

O debate em torno da diminuição da maioridade penal como forma de combater a criminalidade entre os jovens, joga uma cortina de fumaça neste grave problema social.
Há um risco de completo insucesso no combate à violência, caso continuemos a focar sob esse prisma, como propõem as bandeiras ideologizantes de alguns políticos e que tomaram conta dos pensamentos nas ultimas semanas.
Mergulhadas na questão da punição dos jovens como adultos, as pessoas desviaram  o olhar  do que revela essa criminalidade. Permanecem escondidas as mudanças efetivas que precisam ser encaradas para diminuir crimes violentos, como este que nos horrorizou,  realizado para roubar um celular…
Para entender quem são os adolescentes criminosos que despertaram o debate atual, é preciso considerar a segregação dos cidadãos nas periferias urbanas, as poucas políticas públicas dirigidas a eles, a falência da educação, da polícia, da justiça e a desigualdade de participação no bem estar comum que tudo isso ocasiona. Sem alterar estas condições, não se avança na desmontagem desta fábrica de violência  gerada por nossa organização social. Para testemunhá-la basta olhar para as matanças nos bairros periféricos de São Paulo no último ano.
O que pretendem alguns políticos é criar uma armadilha para nos afastar da discussão de suas más administrações e do modelo social que defendem, é criar a falsa impressão de que estão sendo cogitadas medidas acertadas contra a situação de calamitosa  insegurança e mal estar.
Não vamos nos iludir deixando diminuir a urgência em torno de mudanças profundas e amplas,  que realmente trariam mais segurança a todos.
Há experiências muito bem sucedidas de queda significativa na violência  entre jovens por meio da implementação de projetos sociais e educativos, destinados a dar a eles esperanças e realizações concretas de seus desejos de melhoria de vida (vide link abaixo). Por que não colocar nossa atenção sobre essas conquistas e batalhar para que sejam ampliadas?

www.ipea.gov.br/desafios/index.phpoption=com_content&view=article&id=1412:catid=28&Itemid=23

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Helena Grinover e Marcia Arantes

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