Roubo na infância

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A mãe de Aninha está preocupada: já é a segunda ou terceira vez que encontra objetos na mochila da menina que não lhe pertencem. Pergunta de quem são e a garota lhe dá respostas difusas e contraditórias: ‘Não sei’. ‘ É da fulana, ela me deu’. ‘É meu!’… A mãe, duvidando da filha e sem saber o que fazer, começa a discursar sobre a impropriedade de pegar o que não lhe pertence, como é feio fazer isso, não devemos desejar o que é dos outros…
Aos seis ou sete anos, aproximadamente a idade de Aninha, a criança já tem noção clara do que lhe pertence ou não, portanto sua mãe tem motivo para se inquietar.
Os pais podem ficar espantados ao verem seus filhos agirem de maneira totalmente contrária aos princípios que prezam e procuram transmitir a eles. Isso fere a imagem ‘imaculada’ que gostam de manter a respeito dos rebentos e pode tomar proporções desmesuradas nos pensamentos sobre o que poderá vir a acontecer no futuro: ‘Meu filho vai ser um ladrão?’.
Ficam desejando que os filhos não tivessem sentimentos e vontades que possam causar dificuldades na vida social e tentam influenciá-los por ai: ‘Não devemos querer as coisas dos outros!’
Vontades, sentimentos, desejos, não podem ser banidos do nosso mundo mental, fazem parte do psiquismo normal do ser humano. O que precisamos é aprender a barrar as ações movidas por eles. ‘Desejo o estojo da minha colega, mas não posso pegá-lo’.
Às vezes, os discursos mais atrapalham do que ajudam… No exemplo, a fala da mãe poderia se resumir a: ‘Você está proibida de pegar o que não é seu. Vamos devolver!’
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Marcia Arantes e Helena Grinover

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Um pensamento sobre “Roubo na infância

  1. Valeu a dica. Não cheguei ainda nessa idade, mas é bom ir preparando.
    Quando eu tinha uns 8 anos de idade, morava num predio que ficava em cima de uma padaria. Naquele dia, desci para comprar pão, e voltei toda feliz porque a atendente me deu troco a mais. Sentei para tomar o meu café e comentei o ocorrido, como se fosse a melhor coisa do mundo. Meu pai, imediatamente me disse que eu não poderia me apropriar do que não era meu, que faltaria para aquela moça, e que eu deveria devolver. Tive que parar meu café da manhã para descer novamente, devolver e pedir desculpas. Ele foi junto, para garantir que eu faria certinho. Foi uma lição que trago comigo, e que sempre me ajudou a manter meus valores. Nunca vou esquecer.
    um abraço

    http://www.aprendendoasermaehoje.com/

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