Mesmos pais, filhos tão diferentes 2

Colorful flowers

Tati e Lucia são duas irmãs, de 5 e 8 anos. Uma é muito falante, perguntadeira, curiosa. A outra é concentrada, gosta de se dedicar ao que está fazendo, atenta.
Pais, parentes e até professores costumam fazer comentários sobre irmãos, às vezes comparativos e competitivos. Comentam sobre as características físicas, o cabelo que é igual ao do pai, o nariz que é igual ao da mãe, ou como se parecem entre si. É interessante perceber como as falas em geral apontam para o fato de que são irmãos, mas também de que não se parecem: a Tati é mais falante do que a Lúcia. A Lúcia presta muito mais atenção do que a Tati…
Por terem os mesmos pais ou por se criarem juntos, há uma expectativa de que os irmãos sejam parecidos, revelando traços de sua origem comum, biológica ou familiar. Mas o fato é que, a despeito de aparentes semelhanças, são diferentes e é nesse palco que muitos dramas e comédias familiares se desenvolvem.
As crianças, por seu lado, se sentem protegidas e emocionalmente amparadas quando se vêem ‘iguais’. É comum o irmão mais novo procurar ser como o mais velho, imitar, querer o que o outro tem, fazer um grande esforço para acompanhá-lo. Entretanto, a tarefa de se diferenciar é fundamental e desejada por todos. Caso não seja cumprida, a pessoa arrisca-se a passar a vida em uma posição de sombra do irmão ou da irmã. Por vezes, não sabem mais quem é sombra de quem, tal a interdependência no par fraterno que se consolida.
Os adultos podem ajudar as crianças nessa jornada de ir se diferenciando e, ao mesmo tempo, se integrando na família. É importante mostrar a elas que as diferenças não existem apenas em relação aos irmãos, como é dito no exemplo, e que, principalmente, não representam uma vantagem ou desvantagem competitiva para toda a vida. Ser mais falante, ou ser mais concentrado será ou não uma boa característica, dependendo de seu uso em cada situação. Tati não é somente diferente de Lúcia e viceversa, mas é diferente de todos os seres humanos, sendo única em sua maneira de ser.
Ensinar a ver o diferente dentro da igualdade, sem juízos de valor, é um dos desafios da nossa atual aldeia global.
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Marcia Arantes e Helena Grinover

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