A menininha vira fera

Terrible Twos‘Mãe, quem mandou você fazer isso? Você sabe que eu não gosto!’ ‘Não vou prá aula hoje! Já falei!’ ‘Quem mandou você mexer na minha boneca?’ ‘Tira isso daqui!’ Não quero ouvir essa música, para de cantar!!!’ ‘Não vou dormir agora, já falei que não vou!’
A menininha aos 6 ou 7 anos, tão engraçadinha até então, vira uma pequena tirana. Dá ordens à vontade, enfrenta os adultos com a maior naturalidade, manda e desmanda na casa. Os adultos às vezes riem, outras se constrangem, outras ainda se enfurecem. Como lidar com a situação na qual, até os pais mais controlados, sentem-se impelidos a usar de força, como se estivessem num ‘braço de ferro’ com a filha
Ao lado disso, outras mudanças estão ocorrendo: a distinção entre realidade e fantasia se fortalece, a menininha já sabe que algumas estórias são inventadas e outras são de verdade; os dentes de leite começam a cair e com eles a carinha de bebê; as exigências escolares aumentam e as expectativas em relação ao comportamento também.
Grande batalha enfrenta essa menina! Suas crenças estão abaladas, até seus dentes estão abalados! A visão que tem sobre seus pais também está em mudança. Eles diminuem de tamanho e ela cresce, já começa a vislumbrar que um dia estarão do mesmo tamanho.
Essa descoberta encorajadora, é também o abalo da proteção inquestionável que os pais representam durante os primeiros seis anos de vida.
Ela já tem quase certeza de que a vida não é um conto de fadas, está perdendo a ilusão da força das varinhas mágicas e ao mesmo tempo ainda não é uma mulher como sua mãe, sua professora. Como conseguir então ser alguém importante, como realizar seus desejos, como ter controle sobre esse mundo que se apresenta complicado e inatingível?
O que aparece como malcriação pode ser visto como tentativa um pouco desesperada de se sobrepor, de recuperar o poder representado pelas ‘Cinderelas’ que magicamente vencem todas as dificuldades e tornam-se ‘felizes para sempre’ com seus príncipes e vassalos…Se isso agora não pode mais ser conseguido com varinhas ou beijos de amor, quem sabe se na ‘base do grito’ a coisa funciona?
Mais do que ser enfrentada, a menininha precisa ser ajudada a encontrar maneiras de se relacionar sem ocupar o lugar de ‘sua majestade’, tampouco o de ‘seu vassalo’.
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Marcia Arantes e Helena Grinover

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