Mordidas…

Children

“Meu filho foi mordido por um colega!”. Coordenadoras e professoras da educação infantil escutam com frequência essa queixa.
Os pequenos, de um a três anos aproximadamente, estão começando a se socializar, a compartilhar. E os pais também estão começando a partilhar esse filho. Ver seu bebê chegar em casa com marcas de mordida é assustador. “Que lugar é esse onde coloquei meu filho”? “O que acontece nessa escola”? “Não é melhor deixá-lo em casa”? São questões inevitáveis!
A mordida é vista como uma agressão violenta, quase insuportável para os pais, mas podemos vê-la de maneiras diferentes.
Morder, nessa idade, é um comportamento muito comum. A boca ainda é um lugar central, por onde se expressam sentimentos, idéias e desejos.
Quando o bebe coloca objetos na boca, ele se apropria desses objetos, torna-os parte dele mesmo, conhece-os. A criança pequena, ao morder outras crianças, pode estar fazendo o mesmo movimento, quer por o coleguinha dentro dela, devorá-lo, como faz com a comida. Por isso, é provável que morda quem ela gosta, como um gesto de carinho. Mas também pode ser que morda para exercer controle, buscando afastar o incômodo da presença do “chato” que tira seus brinquedos.
Essa compreensão evita que rotulemos as crianças que estão se expressando com mordidas de “agressivas” mas de maneira alguma deve servir para que os adultos deixem de assumir seu lugar de educadores junto a elas. Sempre que possível, devem proibir esses comportamentos dizendo: ‘não pode fazer isso!’
É importante estimular que outras formas de expressão se desenvolvam, perguntando, por exemplo, algo como “o que você está querendo dizer para o seu coleguinha?”.
Uma criança dotada de bons recursos de linguagem tende a abandonar a mordida. Afinal, é isso que a vida em sociedade almeja: substituir ‘atos violentos’ por ‘palavras’.
·

Marcia Arantes e Helena Grinover

http://marciaarantes.com

3 pensamentos sobre “Mordidas…

  1. Márcia: Se olharmos para um pedaço maior da história, veremos que as crianças pequenas sempre morderam, e provavelmente sempre morderão. O homem nasce bicho, afinal, apesar do que diz a Bíblia. Mas antigamente os pais não ficavam tão alarmados, porque A PRÓPRIA VIDA ERA MUITO MAIS DIFÍCIL, MUITO MAIS DURA, E NÃO HAVIA MUITA ESPERANÇA DE QUE EM OUTRA ESCOLA, EM OUTRO LUGAR, FOSSE MUITO DIFERENTE. De 1960 para cá as coisas mudaram muito, e para melhor, e hoje 'mordida' é vista como algo a ser evitado com toda a indignação – criada pela idealização da vida “moderna”. Acalmar os adultos quanto às mordidas NATURAIS da criança é de importância vital. As professoras e os pais podem dizer, claro, 'não faça isso, é feio', mas sem criar um clima histérico em cima disso. Do pavor e da repressão das pequenas violências podem nascer violências muito maiores. Durante décadas, depois de 1960, os pais esterilizavam até os brinquedos das crianças, e isso criou muitas alergias, até que os médicos inventaram a 'Vitamina S' – “sujeira”, para que as crianças criassem anticorpos. Sem anticorpos, toda a limpeza do mundo não adiantaria de nada. O mesmo se pode dizer da pequena violência dos fedelhos na pré-escola. Sem traumas pela histeria dos adultos, a criança sente culpa e passa a evitar, sozinha, a violência “terrível” que ela perpetrou. E você tem razão: quando a palavra entra em cena, a violência do 'bicho' começa a se tornar obsoleta.
    Mas aqui, a meu ver, é preciso educar os adultos, tanto na escola quanto em casa: eles precisam se acostumar a OUVIR os pequenos, caso contrário a fala não se tornará um instrumento de comunicação, ficará mais marcada como instrumento de SUBMISSÃO, e isso estraga tudo. Os adultos precisam entender que o ser humano não nasce humano. Ele nasce bicho, e então, sozinho, se torna humano, se os pais permitirem. Se não permitirem, se o 'educarem' antes da hora, achando que ele nasceu “errado”, ele continua bicho, e cada vez mais acuado, e bicho acuado é fogo. Mas aprenderá a 'imitar' os seres humanos, para evitar os castigos. Muitas mensagens voam pela Internet mostrando como os animais são 'humanos', mas sempre se trata de animais tranquilos, não 'encostados na parede', não reprimidos. Os animais, ao natural, só são violentos quando necessário, não se trata de maldade. Educar, então, só depois de certa idade, mas disso pode falar melhor a autora do artigo original.
    O que eu queria mesmo dizer é que sim, educar É realmente a questão, se se trata de adultos. Quanto às crianças, TOLERAR é que É a questão.
    Davy.

  2. Mas depende muito da quantidade de ocorrências. Não podemos esquecer que a escola tem a obrigação de zelar pelos menores que lá estão durante o período das aulas. Uma ou outra mordida podemos entender como algo aceitável, mas a criança passar o ano inteiro sendo mordida na escola (como ocorreu com uma menina na sala do meu filho) e a professora dizer que é natural eu acho que é descaso. Até porque, quando se conhece o aluno já sabemos os hábitos dele e procuramos ficar atentos para impedir a mordida.

    Esse mesmo aluno que mordeu a menina o ano todo bateu duas vezes no meu filho e numa fomos parar no hospital, pois ele acertou vários golpes no ouvido dele com um carrinho de ferro causando sangramento no canal auditivo. a professora disse que não viu, pois estava guardando as agendas na mochila. As crianças tem 4 anos de idade nesta turma e não se trata de uma “escolinha” de bairro não. A escola custa R$520,00 por mês, tem professora e auxiliar em sala (que nada enxergam) e figura positivamente no ranking do enem.

  3. Caro leitor, agradecemos o comentário de 5 de fevereiro 2012. Realmente há limites para considerarmoe as mordidas como indicativas de uma passagem do desenvolvimento. Uma criança pode estar sendo agressiva demais e necessitar de atenção especia. Nesses casos penso que deve haver uma avaliação por profissionais da escola e, eventualmente, fora dela. São sempre situações únicas e determinadas por muitos fatores. Helena

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